Natal em 1904 em 28 fotos de Bruno Bourgard
A cidade potiguar teve sua demanda inicial atendida pelos fotógrafos itinerantes, Max e Bruno Bougard, irmãos que chegaram ao Brasil pela capital pernambucana, principal polo econômico do Nordeste. O grau de desenvolvimento urbano alcançado por Recife, na época, era convidativo aos fotógrafos que já viviam na capital, em grande concorrência. Na disputa pelo mercado de fotografias os irmãos e sócios Bougard resolveram estender suas atividades pelo interior e litoral. Para isso,buscaram vários estados do Norte e Nordeste. Em Natal, localizaram seu ateliê na Rua Treze de Maio, nº 38, atual Rua Princesa Isabel, no Bairro da Cidade Alta.
Em 1897, a sociedade dos irmãos foi desfeita e Bruno Bougard (1859-1930), passou a oferecer sozinho os seus serviços fotográficos ao público de Natal. O seu anúncio é repetido em 55 edições do jornal Diário de Natal. Só parando quando o fotógrafo informa um período de afastamento da capital, que duraria até o final do ano corrente. Nos últimos dias do mesmo ano Bruno já se encontrava de volta na cidade oferecendo seus serviços. O anúncio repete-se até o final de 1899, em 264 edições do periódico Diário do Natal.
Em Natal, o fotógrafo estabeleceu laços com o governador Alberto Maranhão, irmão do fundador do jornal A Republica, onde Bougard por anos, também fez sua propaganda. No ano de 1904, último ano do seu governo, Alberto Maranhão, solicitou ao atelier do fotógrafo, o registro da capital. O caráter documental da fotografia revela o objetivo de retratar a nova dinâmica que, com as ações sistematizadas pelo governo, em busca de uma cidade com salubridade e higiene, inicia-se nos espaços urbanos de Natal. O princípio ordenador de ideias e valores que se impunham a época começava a tracejar a capital natalense, claro que de acordo com as possibilidades locais (ARRAIS; ANDRADE & MARINHO, 2008). As fotografias de Bougard apontam o limite histórico da cidade colonial e o inicio do processo de modernização.
Bruno Bourgard foi o um fotógrafo itinerante clássico, prosseguiu com suas viagens pelo interior do Rio Grande do Norte em busca de clientes abonados capazes de pagar seus serviços. Retratava pessoas e equipamentos urbanos que se formavam nessas pequenas cidades ou vilas. Muitas de suas atividades estiveram ligadas à igreja. Era convidado pelas arquidioceses para documentar os eventos, geralmente, no período das festas das padroeiras, momento de aglomeração de pessoas. Da cúpula das igrejas conseguia abarcar as procissões. Esse tipo de registro pode ser encontrado em diferentes acervos dos municípios do Rio Grande do Norte. Em Natal, um dos seus primeiros registros arquitetônico é o da Praça André de Albuquerque.
Em inícios do século XX, Bougard continua em atividade na cidade de Natal, de acordo com as notas divulgadas durante o segundo semestre do ano de 1900, no Jornal A República. O Atelier aberto, ainda em sociedade com o irmão Max, na Rua Treze de maio, foi transferido para a Rua das Virgens. Os momentos que se mantinha ausente da cidade eram prontamente notificados pelo profissional, atentando sempre para a data de seu regresso.
A partir de 1907, os anúncios encontrados publicados por Bruno tinham o verdadeiro nome de sua família, “Photographia Allemã de Bruno Bourkhardt.” Acredita-se que adoção do nome artístico Bourgard, à francesa, tenha sido uma estratégia para facilitar a assimilação do nome. O fotógrafo casou-se no início doséculo XX, com Enedina Toscano, conhecida como Dona Sinhá e fixou-se,definitivamente, na capital Paraibana. Após a primeira década de século XX, não encontramos mais anúncios de Bruno nos jornais de Natal. Bougard é um destaque para a história do Rio Grande do Norte, estrangeiro e itinerante, foi o autor dos primeiros registros fotográficos do estado.
Centelhas de uma cidade turística nos cartões-postais de Jaeci Galvão (1940-1980) / Sylvana Kelly Marques da Silva. – Natal, RN, 2013.

Alberto Maranhão solicitou seu estúdio para fazer imagens da capital Natal, quando Alberto deixava o governo para Tavares de Lyra. Fotografia: Blog História e Genealogia.



Bruno Bougard. Gostava de fotografar pessoas e, curiosamente, se inserir na foto: ele é o homem de trajetos elegantes no centro da imagem.
No Baldo, a grande “piscina pública” já não era tão limpa como no século XIX e as lavadeiras, cada vez mais, ocupavam o lugar dos banhistas. Mas ainda ocorriam encontros e serenatas ao luar. Os “cantões” eram reuniões de pessoas amigas nas calçadas de certas residências para bater papo e falar da vida alheia. As festinhas familiares eram denominadas “tertúlias”.



Pelo registro é possível ter noção da quantidade de retirantes que se dirigiram à capital norte-rio-grandense tentando fugir da assoladora seca que atingia o estado, sendo possível ainda conjecturar a intensidade do impacto que esses indivíduos provocaram na acanhada Natal do início do século XX. A imagem apresentou um grande número de sujeitos com vestes simples, enxadas nas mãos e com seus filhos ainda crianças nas proximidades do Teatro Carlos Gomes, no bairro Ribeira.
Ainda pela fotografia, depreende-se como os flagelados dominavam toda a região próxima ao teatro, estavam concentrados para serem distribuídos em frentes de trabalho pela cidade. Contudo, o periódico fluminense O Malho não veiculou mais informações sobre a fotografia, apenas apresentando a acompanhada da seguinte legenda: “na praça principal da capital do Rio Grande do Norte, os flagelados partindo para os trabalhos públicos”.












Os registros foram feitos por Bruno Bougart. o fotógrafo estabeleceu laços com o governador Alberto Maranhão que foi duas vezes governador do Rio Grande do Norte de 1900 a 1904 e 1908 a 1914, irmão do fundador do jornal A Republica, onde Bougard por anos, também fez sua propaganda.

No ano de 1904, último ano do seu governo, Alberto Maranhão, solicitou ao atelier do fotógrafo, o registro da capital. O caráter documental da fotografia revela o objetivo de retratar a nova dinâmica que, com as ações sistematizadas pelo governo, em busca de uma cidade com salubridade e higiene, inicia-se nos espaços urbanos de Natal. O princípio ordenador de ideias e valores que se impunham a época começava a tracejar a capital natalense, claro que de acordo com as possibilidades locais.




O povo, as normalistas, as crianças conduzindo o governador Alberto Maranhão ao Palácio Potengi, na subida da Avenida Câmara Cascudo, que já foi Junqueira Ayres e da Cruz. O bonde, o palacete do Congresso Legislativo, a balaustrada e o relógio franceses e originais, encantando uma Natal ainda guardada pela chaminé do tecido. Tudo passou…
Fotografia: Fotógrafo: Bruno Bourgard
Acervo original Augusto Tavares de Lyra
Acervo atual: Instituto Tavares de Lyra – Macaíba.

Descarga Diária: 72.000 litros; Foi perfurado para abastecimento da população pobre do bairro.
Foto de 1910.
Acervo original: Ministro Augusto Tavares de Lyra.
Acervo atual: Instituto Tavares de Lyra – Macaíba/RN.

Cidade Alta em 1904.


do Brasil .


