A histórica conexão do natalense com o mar
Uma das mais flagrantes mudanças estabelecidas pela população local em relação à natureza foi um novo lidar com o mar e com as praias da capital. Nas primeiras décadas do século XX, o banho de mar tornou-se cada vez mais presente no gosto da população, que passou a frequentar as praias com uma maior assiduidade.
Grupos de famílias, de jovens, de amigos, costumavam ir à praia com o intuito de divertir-se, banhar-se, fazer “pic-nic’s”, passar o tempo, passear e, até mesmo, usar o mar como um instrumento terapêutico, tal como pregava a medicina da época. O médico Januário Cicco, ao tratar da topografia e da geografia médica de Natal, escrevia que a cidade de Natal “é batida pelo vento este-sudeste contante e moderado, trazendo à cidade as riquesas de um ar marinho, leve, puro e tonificador”.
Já em março de 1902, um articulista, que usava o codinome de “Lulu Capeta”, escreve uma pequena nota cujo sugestivo título é “Tudo é febre”, nela o jornalista fala sobre a criação do bairro da Cidade Nova e do desejo que os natalenses tinham de ir morar no novo recanto da cidade. No texto, ele descreve as modas pelas quais passou o natalense, sendo a “febre dos banhos salgados” aquela que marcaria os primeiros anos do século XX.
Na imagem abaixo, percebemos a pouca ocupação da praia de Areia Preta, uma das praias onde o banho de mar era mais frequente. Outro local bem frequentado era a localidade próxima a ponta do morcego. Nela percebemos pequenas choupanas ocupadas por pescadores, a presença de jangadas num dos focos principais da imagem estabelece a relação que o natalense que vivia naquela porção da cidade tinha com aquele espaço. Naquele começo do século XX as faixas de praia da cidade era o lugar de morada de famílias de pescadores, que viviam próximos ao mar, tão somente devido a sua atividade de trabalho.
“A febre dos banhos salgados” se estabeleceu, pouco a pouco, em Natal numa perspectiva de sociabilidade burguesa, favorecendo a ocupação de um espaço até então considerado inóspito. Entretanto, foram muitas as queixas no sentido do mau uso por parte da população dessa dádiva natural. Uma série de denúncias sobre esse “mau uso” foi publicada no jornal “A República”, tais como a utilização das cabanas para vestiário e outras “necessidades”, bem como a prática de tomar banho “sem roupas apropriadas nas altas horas do dia”.
No início do século XX, o modismo do banho de mar trouxe a vontade de morar próximo às praias da cidade ou, no mínimo, de viver bons momentos de frente ao mar. É nesse período que começam a ser construídas as primeiras casas próximas à praia, se não para morar, as casas serviam para passar os finais de semana ou para as férias e veraneio.
Modificações
A cidade de Natal, ao longo de sua
história, vem passando por diversas modificações em seu ordenamento espacial e consequentemente, na paisagem costeira. Nesse sentido, se faz necessário remetermos a alguns períodos cronológicos da história da cidade e citarmos como forma de situar a modificação estrutural pela qual a cidade está passando.
A cidade de Natal passou por vários momentos de desenvolvimento, e o que mais se destacou ocorreu durante a 2ª Guerra Mundial, onde Parnamirim sediava a base militar e que servia como ponto estratégico para os aliados, principalmente os Estados Unidos. Nesse momento, a população da cidade de Natal aumentou significativamente, em relação aos demais períodos.
Os militares que aqui se instalaram foram os primeiros a descobrir e aproveitar as belezas desta cidade, que antes eram apenas frequentadas por pescadores e pessoas com baixo poder aquisitivo, que moravam no entorno da área. Com o término da Segunda Guerra Mundial, em menos de um ano, a cidade entrou em decadência econômica e social (de 1945 a 1952), porém a sua população continuou a crescer.
No período de 1950 a 1960, o potencial turístico de Natal continuava a ser incipiente. Nas décadas seguintes, esse quadro iria mudar definitivamente, em virtude dos investimentos públicos e privados que estavam sendo oferecidos pelo governo federal, estadual e municipal.
Nas últimas décadas do século XX, a cidade de Natal passou por um processo de urbanização sendo acompanhado por uma gama de investimentos, trazendo alguns pontos positivos. Um deles foi à atividade turística, mesmo que incipiente em Natal dá início aos primeiros passos rumo ao desenvolvimento econômico.
Com o surgimento dessa atividade, a economia da cidade é marcada pelas políticas implementadas por intermédio da Empresa de Turismo do Rio Grande do Norte (EMPROTURN), que foi criada para dinamizar o setor que estava em expansão na cidade e em especial a zona costeira (FURTADO, 2008). Com a expansão do turismo foi possível a realização de algumas modificações estruturais no entorno da cidade, expandindo este setor com os incentivos da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE), que na época (meados da década de 1960), estava em plena atividade.
Modernização
Um momento modernizador para a cidade, um marco para a cidade que antes crescia com suas edificações de costas para a beira-mar, foi a construção da Avenida Circular. Está via se insere ainda a cidade na lógica nacional de valorização do Sol e Mar, principalmente por causa da atividade turística. O prefeito de Natal, Sylvio Pedroza, articulou a construção de um hotel de grande porte para a cidade. De acordo com as reportagens do período, o projeto foi encomendado.
Na década de 1950, o sol que brilhava na cidade de Natal, não foi conveniente só para alimentar a “indústria da seca”, os que não eram vitimados pelas paisagens de miséria encenadas pelo astro –, paisagens historicamente construídas, que serviu como benefício estratégico a certos grupos políticos –, já eram capazes de percebê-lo como um aliado aos prazeres das viagens. Foram novas percepções sendo impostas, novas visualidades, novos discursos que construíam uma nova imagem para a cidade. As transformações na paisagem que contém o sol, aliada as ideias de turismo, começam a surgir para o espaço de Natal como agradável aos olhos, um elemento que na relação com os sentidos humanos deixa de ser somente natural e transforma-se em elemento cultural.
A escrita de Heron Domingues, no jornal A Republica, de 11 de junho de 1956, é esclarecedora dessa percepção em relação à paisagem natural do sol e mar que começa a ser construída interligada ao turismo. O relato de Heron revela que a paisagem é antes de tudo um imaginário, dotado por percepções e sentidos a ser desfrutado, antes experimenta-se os espaços, por meio das imagens discursadas, pré-visualizadas. Uma cidade para oferecer a experiência turística é preciso ter esses espaços idealizados, planejados e materializados.
Construção que começa sendo internalizada, primeiro por meio de discursos que organizam um roteiro imaginário, pré-concebido. A exaltação ao sol de junho, ao clima privilegiado, a paisagem surpreendente, revelam juntamente grandes contradições como: Natal cidade moderna/cadeiras na calçada; por instantes tenho a ilusão de estar no Rio de Janeiro/ falta hospedagem que permita o turismo. De acordo com o relato de Heron, as transformações na cidade começam a ocorrer paulatinamente, podendo por meio do turismo, vir a elevá-la a uma categoria de destaque frente às demais capitais do país.
Transformações
No final dos anos 1970 e início de 1980, Natal passou por enormes transformações. Nesse momento, a cidade já possuía uma configuração espacial moderna, com o traçado de amplas avenidas, mas as mudanças continuaram. A princípio, Natal já possuía o produto essencial para o desenvolvimento, que era a beleza e as paisagens aprazíveis (zona costeira – praias).
Logo em seguida, a antiga EMPROTURN, atualmente Secretaria do Comércio e Turismo (SECTUR), buscava atrair investimentos para a capital e reverter-los em melhorias em infraestrutura urbana (transporte urbanos, melhorias de vias, drenagem de áreas, desenvolvimento de artesanato, entre outros), especialmente nas áreas potencialmente turística, como era o caso do bairro de Ponta Negra. Com o boom turístico que ocorreu a partir dos anos 1980, quando a cidade promoveu vários projetos, dando destaque ao Projeto das Dunas / Via Costeira (hoje denominada de Via Costeira).
O megaprojeto da Via Costeira constituiu na construção de uma imensa avenida que ligaria as praias urbanas de Areia Preta (praias do centro) à Ponta Negra, com aproximadamente 8,5 km de extensão. Esta foi inaugurada em 1983, e passou a ser o marco mais importante na expansão do turismo e também da transformação da paisagem costeira de Natal.
O objetivo do projeto era dotar a área com uma infraestrutura hoteleira, até então insuficiente, para lançar a capital no cenário nacional do turismo. Esse é o início das primeiras ações no estabelecimento de políticas públicas de cunho federal, estadual e/ou municipal direcionadas para a implantação e ampliação da atividade turística regional e local. Com a atração dos investimentos públicos e privados para a construção de conjuntos habitacionais e de empreendimentos econômicos, possibilitou o desenvolvimento e mudanças na paisagem no entorno dessa área, dando destaque ao bairro de Ponta Negra.
A partir desse momento, podemos afirmar que o bairro de Ponta Negra passou a ter grandes modificações, tais como: construção do viaduto de Ponta Negra (1974); asfaltamento da estrada de Ponta Negra (quase 7 km de extensão); urbanização das praias de Natal; construção do Centro de Convenções da Via Costeira (1983); duplicação do trecho Via Costeira / Ponta Negra / Praia de Pirangi (1988), Furtado (2008).
Com o passar dos anos, a cidade de Natal não foge a regra das cidades litorâneas brasileiras, seguindo o modelo voltado para o binômio sol/mar, constituindo-se e/ou construindo espaços objetivamente destinados para a atividade turística. A cidade, no século XXI, incorpora o turismo, transformando as imagens e modificando as paisagens.
Sendo assim, a atividade turística se concretiza cada vez mais no bairro de Ponta Negra, associada a uma intensa transformação socioespacial, devido à construção e ampliação dos equipamentos turísticos pelos agentes do mercado turístico e pelo poder público, intervenções espaciais essas que se revertem no crescimento do número do fluxo e da receita turística. Dessa forma, o turismo possibilita inúmeras melhorias, porém provoca consequências, desde o âmbito social ao ambiental.
Um possível início de uma relação com o mar
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Avenida Getúlio Vargas (antiga Avenida Atlântica).
Adriano Medeiros
Administrador do
Grupo Fatos e Fotos de Natal Antiga
Foto original extraída do acervo do Instituto Tavares de Lyra.
Fonte: TCE/RN.
Sequencia de fotos da Ponta do Morcego e parte das praias urbanas de Natal registrada por Jaeci feita apartir do Hospital antigo Hospital Miguel Couto (atual hospital Onofre Lopes) na décadas de 50/60.
(Bairro Praia do Meio)
Foto: Jaeci E. Galvão
Ladeira do Sol
Ponta do Morcego
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A ocupação da Ponta do Morcego como área residencial, se deu a partir da década de 50. Passaram a residir ali famílias como as de Vicente Romano, Jerônimo Câmara, João Araújo, Oscar José de Araújo, Isaac Pimentel, Cleanto Siqueira e Celso Dutra, entre outros. Posteriormente,o local recebeu um visitante ilustre, o cartunista Henfil, quando esse escolheu Natal para morar uma temporada.
PONTA DO MORCEGO
(Bairro Praia do Meio)
Foto: João Galvão
A Ponta do Morcego é um desses lugares onde a natureza parece ter caprichado. É uma ponta, uma extremidade da superfície que se prolonga em direção ao mar. Consta que recebeu esse nome pela abundância de morcegos que havia na região.A praia com pedras enormes,e ondas fortes é impossível o banho de mar. Um paredão foi construído para conter a fúria das águas. Observar o mar na arrebentação batendo nas rochas, é um espetáculo impar! Em noites de lua cheia o cenário é de uma beleza incomparável!
Foto: João Galvão.
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Autor: Jablonsky, Tibor
Local: Natal
Ano: 1957
Série: Acervo dos trabalhos geográficos de campo
Notas: registro feito do alto da avenida Getúlio Vargas nas proximidades do hoje Hospital Universitário Onofre Lopes – HUOL/UFRN. Vemos ainda no primeiro plano a Rua do Motor. Animais ainda pastavam no local naquele ano.
Fontes: Blog Pap Jerimum e Brechando
Avenida Café Filho (Atual Avenida Circular).
Forte dos Reis Magos
Em uma foto a qual tivemos acesso, aparece a Fortaleza dos Reis Magos, edificação militar histórica fundada em 25 de dezembro de 1599 para proteger a cidade de corsários franceses que traficavam o pau-brasil, e um suposto farol em construção.
A imagem, que parece ser uma fotografia muito antiga tirada de um livro ou enciclopédia, mostra ainda uma escada e um homem, e traz com ela a informação de que o farol estaria sendo construído DENTRO da Fortaleza, e teria objetivo de alcançar 10 milhas (mais de 16km):
“PHAROL DOS REIS MAGOS
Construído na fortaleza dos Reis Magos, na barra do Rio Grande do Norte, em 27 de Setembro de 1872. Apparelho dioptrico, de 5ª ordem, luz fixa e branca, de alcance de 10 milhas. Está erecto sobre columnas de ferro fundido.”
Em extensas pesquisas pela internet que realizamos não encontramos outras imagens além desta, seja antiga ou atual, e nem menções à um suposto farol construído na Fortaleza, o que torna este registro ainda um mistério.
Fonte: Blog Curiozzzo.
NOTA DO EDITOR: Olha… Penso que este farol foi implantando na época da instalação da rampa para auxiliar os hidroaviões que pousavam no Rio Potengi naquela época. Depois a Segunda Guerra Mundial o farol foi retirado, pois já não havia serventia depois que foi construído o farol de mãe luiza já na década de 50.
(Bairro Santos Reis)
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Autor: Galvão, Jaeci Emerenciano
Título: Vista aérea do Forte dos Reis Magos : Natal, RN
Ano: [19–]
Série: Acervo dos municípios brasileiros
Notas: A Fortaleza da Barra do Rio Grande, popularmente conhecida como Forte dos Reis Magos ou Fortaleza dos Reis Magos, foi o marco inicial da cidade — fundada em 25 de Dezembro de 1599 —, no lado direito da barra do Potengi (hoje próximo à Ponte Newton Navarro). Recebeu esse nome em função da data de início da sua construção, 6 de janeiro de 1598, Dia de Reis, pelo calendário católico. Em formato de estrela, a fortaleza foi construída pelos colonizadores portugueses em 1598. Em 1633 foi invadida pelos holandeses. Anos mais tarde, os portugueses conseguiram retomar a cidade e o forte. O monumento ainda preserva os canhões expostos na parte superior do prédio, capela com poço de água doce e alojamentos.
(Bairro Santos Reis)
Foto: CD Rom Natal 400 Anos
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Por esta imagem percebe-se bem o local estratégico no qual foi edificado o Forte dos Reis Magos que guarda a foz do Rio Potengi. Outra observação é a barreira de contenção de marés que na foto se estende da fortificação até Rampa. Esta barreia original, edificada durante segunda guerra, boa parte dela desapareceu com intervenções de melhorias no decorrer do tempo. Ao fundo vemos as Rocas, Ribeira e a Praia do Forte com suas piscinas naturais. Creio que o registro tenha sido feito nos 50, mais provavelmente nos anos 60, pois vemos a avenida Circular, Café Filho, sem edificação aparente em suas margens. Autor desconhecido.
Acesso pela Passarela Antiga. Foto: Esdras Rebouças.
Redinha
“ … Na direita a vista é monótona, mangues , a careca das dunas e um ajuntamento de coqueiros.
Oculta nessa monotonia, da banda do mar fica a Redinha, praia de verão, bairro que ninguém sonha pela preguiça do pensamento atravessar o rio com este sol.”
Redinha, 30 de dezembro de 1928
Mário já está na Redinha em companhia de Cascudo e Barôncio Guerra vindo de barco à vela pelas aguas do Potengi. O detalhe e que essa visita foi programada para um dia, mas devido o seu encantamento com a praia, durou dois dias e rendeu a Redinha um destaque especial de três paginas na sua obra
“ …. A boca da noite se abriu sem a gente sentir. O choro foi lá embaixo se instalar do Redinha-Clube, casarão chato no meio da praia, pra meninas dançarem. Estamos por ali gozando a ventania. Se acende as luzes. O Redinha-Clube é um guaiamum escuro com as pernas luminosas sobre a areia”
Detalhe é que nessa foto, tanto o Redinha Clube como o Mercado, ainda eram de madeira.
AS IGREJAS DE NOSSA SENHORA DOS NAVEGANTES – Em 1924, os pescadores da Redinha, com ajuda do Dr. Aponan, construíram a capelinha Nossa Senhora dos Navegantes,a padroeira do bairro.
A Igreja de Nossa Senhora dos Navegantes é um templo famoso na cidade pela originalidade da sua construção, toda em pedra preta, retiradas da praia de Genipabu. Essa construção ocorreu em 1954, com ajuda dos veranistas Cunha Lima e Carlos Lima Araújo. O novo templo não teve a aprovação dos pescadores porque foi erguido de costas para o mar. Até hoje os pescadores continuam frequentando a antiga capelinha, bem mais antiga também dedicada a Nossa Senhora dos Navegantes.
Antigos veranistas contam que a imagem de N. S. dos Navegantes, antes situada na capelinha, foi levada à Igreja, ocasionando revolta por parte dos moradores. “Durante os dois primeiros anos a Igreja de Pedra não celebrou missas em função do desaparecimento da imagem, que segundo a comunidade, teria sido roubada pelos pescadores. Em 1956, a imagem de Nossa Senhora foi encontrada no Canto do Mangue. Numa trégua entre as duas partes, foram doadas duas imagens, dando assim, origem a Procissão de Nossa Senhora dos Navegantes”.(Sérgio Vilar -Diário do tempo redinha Velha 3).
Fonte: Vento Nordeste.
Fotos do Acervo digital de Adriano Medeiros.
O REDINHA CLUBE – Construído no ano de 1922, numa época em que a Redinha já registrava uma vida social intensa.O Redinha Clube passou a animar o verão com suas festas, entre elas a “festa do caju”, realizada no mês de janeiro.Por décadas a festa do caju atraiu pessoas de todos os lugares da cidade e carregou por muito tempo a tradição “a cara da Redinha” mas deixou de existir a partir de 1970.
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Destaque para o Redinha Clube. No lado esquerdo vemos o trapiche por onde se transitava pessoas e mercadorias pelo Rio Potengi. Local historicamente foi muito frequentado pelos banhos de rio/mar.
Praia da Redinha, meados do século XX.
Acervo do Memorial Câmara Cascudo
Enviada por Daliana Cascudo
Legenda: Daliana Cascudo com colaboração de Jeanne Nesi.
Foi o advogado e deputado provincial Francisco Xavier Pereira de Brito (1818-1880) quem tornou a Redinha conhecida de todos. Segundo o escritor Manuel Onofre Junior, até fins do século XIX, os banhos de mar e temporadas de veraneio eram ignorados nas praias de Natal.Somente nos fins da primeira década do século seguinte é que iniciou-se o movimento de veranistas nas praias potiguares. Mas, o costume iria consolidar-se apenas na década de 20.
Praia de Areia Preta/Miami
“Areia Preta não tem história. Praia feliz. Era recanto de pescadores até 1920, quando sua popularidade e rude beleza prestigiaram-lhe a fama. Os pescadores foram vendendo os ranchos e os natalenses construindo outros, mais feios, e indo passar as semanas de calor. Era a mais longínqua das terras para o leste e deu margem a festas lindas, serenatas, banhos de fantasia, piqueniques espaventosos e mesmo causou inveja às reuniões da cidade no tempo em que veraneava ali o comerciante Jorge Barreto, aclamado conde da Areia Preta pelos amigos.
Areia Preta foi, legal e oficialmente, a primeira praia escolhida para a função balneária. A Intendência Municipal na resolução 115, de 18 de janeiro de 1908, indicou-a para os banhos de mar, considerando-a “a que melhores condições oferece na espécie”.
Em agosto de 1912 os bondes elétricos foram a Petrópolis e desciam, vindo pelos morros, até a praia de Areia Preta desde 1º de fevereiro de 1915. Era o mais delicioso passeio da época.
Continua praia de banho sem complicações elegantes.”
Fonte: História da cidade do Natal / Luís da Câmara Cascudo – 2ª ed. – Rio de Janeiro: Civilização Brasileira; Brasília: INL; Natal: Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 1980.
Imagem: Praia de Areia Preta, Natal.
Texto: Instituto Câmara Cascudo.
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Segundo registra Câmara Cascudo, Areia Preta era um recanto de pescadores até 1920. Com o tempo, os pescadores foram vendendo suas casas e novas construções apareceram. Era a mais distante das terras à leste da cidade, e por isso local de festas, serenat as, banhos de mar à fantasia e piqueniques. Ali veraneava o comerciante Jorge Barreto, aclamado pelos amigos como Conde D´Areia Preta. A praia foi a primeira escolhida pela Intendência para a função balneária, por ser considerada em boas condições para tal fim. Foto: João Galvão. Entre 19010 a 1930.
Foto feita por Manoel Dantas, provavelmente na década de vinte. A casa, na Praia de Areia Preta, já não mais existe. Em seu lugar foi construída a Praça da Jangada.
Enviada por Sérgio Augusto Dantas
Foto: Jaeci E. Galvão
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O registro foi feito depois da edificação do Farol de Mãe Luíza em 1951. Sem ainda a Via Costeira que seria construída em 1985. Nota-se que já havia via de acesso a Praia que tinha várias casas de veraneio.
A foto foi feita a partir da comunidade de Mãe Luiza. Ao fundo vemos a Praia de Maiame. Nas dunas mais adiante hoje se encontra o restaurante Tábua de Carne. Próximo a ponta com os rochedos hoje está casa abandonada de Moacyr Maia, filho do engenheiro Otacílio Maia e criador do Cine Rio Grande.
A Praça da Jangada aparece bem evidente. Mais a frente o Trampolim que foi instalado durante a gestão de Sylvio Pedrosa. A obra foi bastante criticada por ser construído em um local no meio das pedras, deixando algumas vítimas de acidentes fatais. O Trampolim foi inaugurado em 1956, quando foi entregue o calçamento da avenida principal da orla. Junto com o trampolim, a balaustrada, que até hoje existe na orla da praia urbana
Uma imagem, muitas histórias para contar…
(Bairro Areia Preta)
Foto: Waldemir Germano
#fatosefotosdenatalantiga
Registro fantástico feito na década de 50. Detalhe para o Farol de Mãe Luisa.
#fatosefotosdenatalantiga
O Trampolim foi instalado na Praia de Areia Preta durante a gestão de Sylvio Pedrosa, que foi bastante criticado por construir o trampolim em um local no meio das pedras, deixando algumas vítimas de acidentes fatais. O Trampolim foi inaugurado em 1956, quando foi entregue o calçamento da avenida principal da orla. Junto com o trampolim, a balaustrada, que até hoje existe na orla da praia urbana.
De acordo com os blogs que também narram a história de Natal, uma das vítimas fatais foi o Tenente Aviador, Antonio Carlos Magalhães Alves, de apenas 24 anos. Ele, casado em março do ano anterior e chegado a cidade há poucos meses, fazia parte do 2º esquadrão do 5º grupo de aviação da Base Aérea de Natal. O acidente foi quando ele errou o seu salto e bateu com a cabeça em uma das pedras, levando-o a óbito ainda no local.
Fonte: Brechando
Foto: Jaeci E. Galvão
Anos 80 e 90
Esdras Rebouças.
Foto: @matheuscarrilho_
(Bairro Areia Preta)
Foto: Jaeci E. Galvão
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Local é conhecido como a ponta do pinto. Por trás dessas dunas há uma praia também chamada de pinto. Pouco conhecida e frequentada, mas é muito lindo. Neste local hoje está edificado uma churrascaria muito conhecida na cidade.
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Quem trafega pela orla de Natal na confluência das praias Areia Preta e Pinto, no início da Via Costeira, encontra um casarão inacabado sem qualquer sinal de retomada dos serviços. Causa estranheza o abandono da edificação porque está encravada num pontal privilegiado de onde se obtém a melhor e a mais limpa visão do Oceano Atlântico para um observador postado ao nível do mar.
Na verdade, a casa foi esboçada pelo engenheiro e empresário Moacir Maia, que convidou o arquiteto Moacyr Gomes da Costa para elaborar o projeto, no final dos anos 60. No início da nova década, com Moacyr associado ao colega Ubirajara Galvão, os desenhos se integraram ao acervo técnico do escritório UM Arquitetura.
Moacir Maia (1926-2005), natalense, com apenas 22 anos de idade formou-se em engenharia civil e mecânica pela Universidade do Recife, em 1948. No retorno para Natal trabalhou na Rede Ferroviária Federal (DNEF), passou pelo IPASE, IAPC e IAPI, antes de fundar a Companhia de Investimentos e Construções Ltda – Cicol.
O jovem engenheiro, herdeiro de enorme patrimônio em imóveis em Natal, por décadas, dominou o setor de entretenimento da capital com os cinemas Rio Grande (1949-1999) e Panorama, e com o Cine Poti, arrendado dos Diários Associados.
Com a Cicol, Moacir construiu obras no Rio Grande do Norte e pelo Brasil afora. A construtora figurava entre as maiores do Estado quando partiu para grande empreitada na Tanzânia, pais da África Oriental. O contrato acarretou dificuldades operacionais e financeiras à Cicol, que foi desativada no início dos anos 80.
Na opinião do arquiteto Moacyr Gomes, não foi a falta de apoio financeiro que emperrou a conclusão da casa: O que fez Moacir Maia se desiludir com a construção foi a dificuldade encontrada para a sua regularização junto ao Patrimônio da União por se tratar de obra edificada em “terreno de marinha”.
O projeto abrigava sob uma cobertura de 500,00 m2, dois pavimentos, suítes, salas amplas, garagens e espaços para criadagem e lazer, todos os predicados para se tornar uma das mais emblemáticas casas de praia do município. Tal patrimônio ocupava apenas um naco da área de quase 2,5 hectares de natureza ainda intocada.
O terreno estava coberto por coqueiros quando projetei a obra. Na locação da casa tivemos o cuidado de preservar a flora existente – afirmou o arquiteto. Perguntado acerca do percentual executado antes de paralisados os serviços, Moacyr esclareceu: Cerca de 85%, incluindo aí esquadrias, pisos e revestimentos. Estávamos na fase de acabamentos.
Os registros fotográficos de agora mostram uma construção deteriorada por intempéries e pela depredação, e sem o coqueiral presente na época. Moacir Maia faleceu há 15 anos, e o imóvel continua no patrimônio da família.
É lastimável ver a bonita obra de engenharia definhar com o passar dos anos ante o olhar de circulantes da Via Costeira. Enquanto isso, continuará sendo o ponto de parada obrigatório para a curiosidade de turistas, que especulam sobre o mistério do casarão abandonado no pontal que, do alto, lembra o mapa do Brasil.
JOSÉ NARCELIO – AO PÉ DA LETRA
Via JBF
Farol de Mãe Luiza
Sua construção teve início em 1949 e foi concluída dois anos depois, em 1951 sob a administração da Capitania dos Portos do Rio Grande do Norte. O farol possui uma torre de concreto de 37 metros de altura e uma escadaria, esta, com 151 degraus em espiral.
Ele é todo movido a energia elétrica e os seus pontos de luz giram a 12 segundos e atingem até 44 quilômetros de distância. Caso falte energia para seu abastecimento, o mesmo passa a funcionar a partir de baterias que são operadas manualmente.
Via Costeira
#Fatosefotosdenatalantiga
A construção da Via Costeira, em 1985 — uma estrada 12 quilômetros que ligaria as praias urbanas de Areia Preta (praias do centro) à Ponta Negra — foi um momento especial de conquistas sociais em Natal, que envolveu toda a sociedade civil em torno das questões urbanísticas e da proteção do meio ambiente. A discussão resultou em quatro versões de projetos até a proposta final. Esse projeto passou a ser o marco mais importante na expansão do turismo e também da transformação da paisagem costeira de Natal.
Praia de Ponta Negra
paisagem costeira em meados do século XX (círculo em vermenlho)(A). Hotéis e residências – transformando a paisagem costeira no século XXI (seta em vermelho) (B). Fonte: CDROM de Natal 400 anos (A) / Disponível em: skyscrapercity.com (Jun/2010) (B).
aponta a inexistência e existência da ação antrópica) (A). Vista da paisagem costeira da praia de Ponta Negra em 2010 – círculo mostra a presença da influência antrópica (B). Vista aérea da praia de Ponta Negra com destaque ao “novo” ordenamento urbano (C). Construções de pousadas, bares e restaurantes na orla marítima afetando o ambiente costeiro (D). Os edifícios e o comercio modificando a paisagem da área (E). Os grandes espigões quase a beira-mar, contribuindo para transformação da paisagem costeira da praia de Ponta Negra. Fonte: CDROM de Natal 400 anos (A) skyscrapercity.com (C) / Pesquisa de campo (2009/2010) (B, D, E e F).
A CONSTRUÇÃO DA NATUREZA SAUDÁVEL: NATAL 1900-1930. ENOQUE GONÇALVES VIEIRA. NATAL / 2008.
Praia de Ponta Negra: uma abordagem da paisagem costeira de 1970 a 2010, Natal/RN / Ana Beatriz Câmara Maciel. – 2011.
Centelhas de uma cidade turística nos cartões-postais de Jaeci Galvão
(1940-1980) / Sylvana Kelly Marques da Silva. – Natal, RN, 2013.
